Uma técnica simples, barata e menos dolorosa para o tratamento de queimaduras de segundo e terceiros graus poderá ser incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS).
Pesquisa sobre o uso da pele de tilápia para o tratamento de queimados,
desenvolvida pelo médico pernambucano Marcelo Borges, foi apresentada ao
presidente Jair Bolsonaro e ao ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta.
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No final de fevereiro, o presidente chegou a falar sobre a técnica em uma
postagem em sua conta pessoal no Twitter. Na ocasião, ele disse que a “pele da
tilápia tem se revelado excelente” no tratamento de queimados.
Ele adiantou que o governo proporia estudos e, comprovada a eficiência
científica, levaria à análise do Ministério da Saúde “para a adoção como
terapia de cura alternativa e possivelmente mais barata que as existentes”.
Encontro - A expectativa do médico é que o encontro acelere o processo de incorporação da técnica ao SUS. De acordo com Borges, a ideia é expandir o tratamento que já ocorre de forma experimental no Ceará, no Paraná, Rio Grande do Sul, em São Paulo, no Rio de Janeiro, em Goiás e Pernambuco para todo o Brasil.
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Segundo ele, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ainda
analisa a eficácia da tecnologia. Somente após a aprovação da agência, a
técnica poderá ser utilizada em hospitais públicos que trabalham com tratamento
de queimados.
Pesquisa
Os
médicos Edmar Maciel, Odorico Moraes e Marcelo Borges são responsáveis
pela pesquisa da técnica de uso da pele de tilápia para tratamento de
queimados - Marcelo Borges/Direitos reservados.
De acordo com a pesquisa desenvolvida pelo médico na Universidade Federal
do Ceará, a pele de tilápia pode ser mantida nas queimaduras por vários
dias e tem duas vezes mais colágeno que a pele humana. Por isso, melhora a
cicatrização, evita infecções e perda de líquidos e proteínas.
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"A tilápia funciona como um curativo biológico, ela tampona a
ferida, ela veda, ela adere como se fosse um cola, permanece por vários dias.
Isso faz com que haja uma redução tremenda no risco de infecção, mas sobretudo
uma grande redução da dor que é bem característica no tratamento das
queimaduras”, destacou Borges.
Cerca de 97% dos queimados são tratados pelo SUS. Atualmente, os
hospitais públicos do Brasil usam pele de cadáver para recuperação inicial
desses pacientes. Segundo Borges, a pele de tilápia poderá ser empregada
na fase de cicatrização das feridas.
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O presidente da Sociedade Brasileira de Queimados, o cirurgião
plástico José Adorno, explica que, para ser eficaz ao tratamento, a
pele de tilápia deve seguir alguns critérios. “Os enxertos temporários de
pele, ou substitutos temporários de pele, têm que ser baratos, de fácil
utilização, não podem ocasionar reações adversas e têm
que ter biossegurança", destaca.
A técnica de uso da pele de tilápia para tratar queimaduras foi idealizada e patenteada pelo médico Marcelo Borges depois que ele leu, em 2011, uma matéria em um jornal de Pernambuco sobre o uso da pele do peixe no artesanato.
A técnica de uso da pele de tilápia para tratar queimaduras foi idealizada e patenteada pelo médico Marcelo Borges depois que ele leu, em 2011, uma matéria em um jornal de Pernambuco sobre o uso da pele do peixe no artesanato.
Países como Alemanha, Estados Unidos, Holanda, Guatemala e Colômbia
também estudam o benefício do tecido no tratamento de queimados.


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