Hoje, a
presença nos colégios regulares de alunos com síndrome de Down não só é uma
realidade, como o número de crianças atendidas pela educação especial tem aumentado
a cada ano. Os desafios persistem, mas, a cada ano, esse apelo ganha mais força
nas escolas.
Em 1998,
cerca de 200 mil crianças que necessitavam de educação especial estavam
matriculadas nas classes comuns da educação básica. Em 2014, elas já eram quase
700 mil, distribuídas em 80% das mais de 145 mil escolas em todo o país.
O número
de alunos da educação especial ultrapassou a barreira de um milhão em 2017 e,
em 2018, chegou a 1,18 milhões, registrando um crescimento de quase 11% em
apenas um ano. A maior parte, pouco mais de 992 mil, estuda em escolas públicas
do ensino regular.
Para a
diretora de Educação Especial do MEC, Patrícia Neves Raposo, a celebração
internacional é essencial para reafirmar a inclusão social. “Essas datas são
importantes para lembrar dessas diversidades que existem na sociedade;
diversidades que caracterizam a humanidade. Também para reforçar sobre o
respeito que a sociedade precisa ter em relação a essa diversidade,
evitando-se, assim, o preconceito e, em muitos casos, a ação mais grave, que é
a discriminação de uma pessoa por condição ou característica que ela
apresenta”, destaca.
De acordo
com Patrícia, as escolas devem se preparar cada vez mais para atender aos
alunos com síndrome de Down e reconhecer as competências e capacidades
que eles têm. “É preciso, muitas vezes, flexibilizar as atividades
curriculares, para que eles tenham as necessidades atendidas”.
A
diretora reforçou, ainda, a importância da participação dos pais na educação.
“Os pais também precisam entender que a educação e a aprendizagem são direitos
da criança. É importante que eles acreditem e participem da educação de seus
filhos”, conclui.
Elza
Marques, 63 anos, moradora de Recife (PE), acompanhou a filha Jéssica nos
estudos desde pequena e lembra que a maior dificuldade surgiu de onde menos se
esperava. “As dificuldades no início sempre existem. Pensei que encontraria
isso nos professores, na escola, mas, no nosso caso, foram os outros pais”,
lamenta. “Infelizmente, muitas pessoas não entendem sobre direitos iguais e
inclusão e acreditam que alunos com síndrome de Down precisam ir para
uma escola especial. Nunca deixei ela se envolver demais com as dificuldades e
sempre estive ao lado dela”.
A
pernambucana relata que se surpreendeu com o ensino público e mostra seu
orgulho com a filha, hoje com 27 anos e prestes a concluir o ensino superior no
Centro Universitário Maurício de Nassau (Uninassau). “Ela estudou tanto em
colégio público quanto em particular, e a escola pública foi ótima para ela,
muito melhor que a privada. Tudo transcorreu bem com a educação dela e hoje
estou feliz por Jéssica estar concluindo a faculdade de Fotografia. Todos têm
direito à educação, independente da condição”, comemora.
Especialização – A rede
pública de ensino atende a todos os alunos especiais, independe da condição,
como explica a diretora Patrícia Neves Raposo. “O MEC não identifica ou
classifica especificamente uma ou outra síndrome. O que acontece é que todos
têm direito à educação. Então, aqueles estudantes que têm demandas educacionais
que exigem no seu processo de escolarização serviços e recursos especializados,
esses compõem o público apoiado pela educação especial”, explica.
Segundo
Patrícia, os próprios professores da escola, além de profissionais
especializados, vão identificar quais necessidades são essas e organizar a
escola de forma a atendê-las.
“O
sistema de ensino atende essas necessidades por meio de vários programas.
Estudantes com deficiência, transtorno do espectro autista e altas
habilidade/superdotação são atendidos por programas que visam, por exemplo,
acessibilidade arquitetônica, aquisição de tecnologia assistiva, salas de
recursos multifuncionais, entre outros”.
Diversos
professores da rede pública são formados para a educação especial, tanto para
atuar no atendimento educacional especializado, dirigido a esse público, quanto
para auxiliar os professores da classe comum do ensino regular que recebem
esses estudantes.
“Cada um
dos estudantes tem um processo escolar, tem a sua singularidade. Por isso,
capacitamos os professores para que eles tenham uma prática apoiada em
conhecimento teórico, para que os levem a um atendimento adequado. Assim, eles
podem conhecer as potencialidades que esses estudantes têm”, ressalta Patrícia.
A
diretora do MEC afirma que muitos professores se interessam pelo assunto e já
fazem especializações para atender melhor aos alunos que necessitam de apoio da
educação especial, antes mesmo de haver demanda. Patrícia explica que, se uma
escola recebe um aluno com essas necessidades e não tem em seu quadro um
docente com a especificação, são indicados professores para se capacitarem.
“Cerca de
80% das escolas públicas têm, pelo menos, um aluno atendido pela educação
especial. Essas instituições já têm profissionais capacitados na área. As especializações
são feitas por meio de uma parceria do MEC com universidades, ou por meio dos
estados e municípios, que também podem realizar formação de acordo com a
demanda”, garante. “O MEC, por meio dos seus programas e ações, tem apoiado
sistemas de ensino para garantir o acesso à participação e aprendizagem de
todos os alunos”.





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