No Dia Nacional da Saúde
Ocular, o presidente do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), José Augusto
Ottaiano, disse à Agência Brasil que grande parte do problema da cegueira no
país pode ser solucionada.
No estudo que vem sendo
feito pelo CBO em conjunto com o Ministério da Saúde, uma das linhas defendidas
é a inserção da oftalmologia na atenção básica de saúde.
Ottaiano esclareceu
que, atualmente, existe uma diferenciação entre o que é cegueira e o que é
deficiência visual. Muitas pessoas deficientes visuais se comportam como cegas
em função da qualidade de visão que têm. Mas 75%, ou três quartos desses
indivíduos, pode ter a deficiência solucionada com óculos e com cirurgias de
catarata.
As principais causas de
cegueira são as cataratas, glaucoma e a Degeneração Macular Relacionada à Idade
(DMRI). Os erros refrativos não corrigidos (miopia, astigmatismo,
hipermetropia) também aparecem como maiores responsáveis pelo comprometimento
da visão.
As estatísticas fazem
parte do documento “As Condições da Saúde Ocular no Brasil 2019”, lançado pelo
Conselho no último mês de junho, durante o Fórum Nacional de Saúde Ocular,
realizado na Câmara dos Deputados.
O presidente do CBO
sustentou que com a oftalmologia inserida na atenção básica de saúde, 80% dos
problemas de deficiência visual poderão ser corrigidos, passando para a atenção
secundária os problemas graves.
O estudo feito em
parceria com o Ministério da Saúde objetiva também criar um sistema, dentro da
rede pública de saúde, para elevar o número de consultas de 10,4 milhões,
realizadas em 2018, para 40 milhões ou 50 milhões de consultas.
Além de organizar a
rede, em termos de saúde pública, a ideia é ter um plano de carreira para os
oftalmologistas e universalizar o atendimento, com a possibilidade, inclusive,
de aquisição, pelo governo, da rede instalada privada. Ottaiano admitiu que se
forem adotadas essas iniciativas, os problemas serão bem atenuados.
O estudo desenvolvido
por CBO e Ministério da Saúde deve ficar pronto em 60 dias, “no máximo”,
estimou Ottaiano. “Todas as premissas já estão delineadas”, informou.
O presidente do CBO
revelou que o número de oftalmologistas no Brasil subiu de 17 mil há quatro
anos, para 20.425 mil pelo censo atual. “Houve muitos avanços”, comentou. O
estudo revela que em 2014 havia no país 848 municípios atendidos por
oftalmologistas; esse número dobrou, chegando a 1.633, em 2019.
De acordo com
recomendação da Organização Mundial da Saúde, o ideal para um país seria ter um
oftalmologista para cada 17 mil pessoas. O Brasil hoje tem, em média, um médico
dessa especialidade para cada 9 mil indivíduos. Mas o problema não está
resolvido devido à má distribuição geográfica desses especialistas.
No Brasil, somente a
Região Norte tem um oftalmologista para 19 mil habitantes, depois de ter uma
relação de um médico para cada 28 mil pessoas, há dez anos. “Houve uma melhora
significativa”. No Nordeste, o total de oftalmologistas dobrou de 3 mil para 6
mil, graças à realização de cursos de capacitação.
O CBO tem 101 cursos
credenciados de oftalmologia para treinamento, especialização e residência
médica. Nos últimos 12 anos, o CBO elevou o total de cursos oferecidos de 40
para 101, “basicamente interiorizando esses cursos”, porque sabe que a média
dos médicos formados tem grande tendência de se fixar próximo aos locais onde
fazem residência.
De acordo com o estudo,
82% dos cegos no Brasil são idosos acima de 70 anos de idade. Se pegarmos a
fatia de pessoas com catarata e somarmos com os erros refrativos, já teremos os
75% de indivíduos que podem solucionar seus problemas com óculos e cirurgia.
O ideal, segundo José
Augusto Ottaiano, seria realizar cirurgias de catarata para 0,8% a 1% da
população brasileira por ano, o que representaria 2 milhões de cirurgias
anuais, no universo de 208 milhões de habitantes.
No ano passado, foram
efetuadas no Brasil 450 mil cirurgias de catarata. O grande problema, segundo
Ottaiano, é a quantidade de cirurgias que são adiadas para o ano seguinte.
Atualmente, existem no
Brasil, 1,577 milhão de crianças e adultos com cegueira, equivalentes a 0,75%
da população. O total de crianças, contudo, é bem menor, devido, entre outros
fatores, ao teste do olhinho que os pediatras fazem já de forma rotineira. A
estimativa é que existam no país hoje 25 mil crianças cegas.





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